
A Divisão El Teniente da Codelco não é apenas conhecida por ser a maior mina subterrânea do mundo, mas também por ser uma referência em técnicas de extração em grande escala, como o block caving (subducção de blocos). Este método aproveita a gravidade para extrair enormes volumes de minério, que depois passa por um rigoroso processo de britagem de três níveis até ser reduzido a fragmentos de aproximadamente 1,27 centímetros (meia polegada), tamanho ideal para o seu tratamento posterior.
Ao longo dos anos, a Codelco implementou uma forte transição para a automação, visando proteger os seus trabalhadores e aumentar a produtividade. No entanto, à medida que os recursos minerais mais superficiais se esgotam, a mineração é obrigada a aprofundar as suas operações. É nestas imensas profundidades que a engenharia enfrenta o seu maior rival: a pressão do maciço rochoso.
Construir túneis a grande profundidade implica lidar com forças colossais. Tal como explica Igor Bravo, numa entrevista recente, a rocha em El Teniente está submetida a pressões altíssimas, resultantes do peso da montanha e de uma atividade tectónica de milhões de anos.
Desconhecer o estado destas forças (esforços) pode levar a condições de escavação muito perigosas. Isto torna-se crítico dependendo do tipo de rocha: se a rocha for macia, deforma-se sem armazenar muita energia. Mas se a rocha for muito dura e competente, atua como uma mola: à medida que é carregada, suporta a pressão e armazena energia. Quando finalmente supera o seu limite de resistência, quebra-se de forma violenta, produzindo o que na mineração se conhece como um "estouro de rocha".
Para projetar os suportes e fortificações adequadas que protejam os túneis e os trabalhadores, é vital conhecer exatamente quanta força a montanha está a suportar. E é aqui que entra o trabalho da Geosinergia.
Para medir os esforços dentro da montanha, a Geosinergia utiliza uma técnica fascinante que funciona como um "exercício inverso". Em vez de aplicar peso a uma rocha para ver o quanto ela se deforma, medem como a rocha relaxa quando o peso é removido.
O processo, conhecido como overcoring (sobreperfuração), funciona da seguinte maneira:
Posteriormente, essa mesma amostra de rocha é levada ao laboratório, onde é submetida a carga para determinar suas propriedades elásticas. Com esses dados e por meio de uma análise inversa (back analysis), os engenheiros podem calcular com exatidão matemática o estado dos esforços tridimensionais (Sigma 1, 2 e 3) que existiam na montanha. Com esses valores, a mina pode projetar fortificações seguras e tomar decisões operacionais.
Além de medir os esforços, é fundamental monitorar as rupturas que vão sendo geradas no maciço rochoso. Para isso, El Teniente conta com uma das redes de monitoramento sísmico mais avançadas do mundo, utilizando geofones e acelerômetros que permitem localizar eventos sísmicos em 3D e medir a sua magnitude.
Nesta área, a Geosinergia também contribui com tecnologia de ponta, introduzindo inovações como sensores sem fio que permitem à indústria mineira adaptar-se a novas exigências, garantindo que a extração de cobre continue a ser um processo seguro, eficiente e de classe mundial.
Convidamo-lo a ver e a saber mais sobre este assunto no próximo trecho da entrevista!👇
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